Elsimar Coutinho, médico cientista, morre aos 90 anos após complicações da Covid-19

Elsimar Coutinho foi internado no dia 20 de julho, no Hospital Aliança, em Salvador, após apresentar caso de Síndrome Respiratória Aguda Grave, decorrente da Covid-19. Quase 10 dias depois, ele foi transferido para o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

O governador da Bahia, Rui Costa, lamentou a morte do médico e cientista e decretou luto no estado, na terça-feira (18). Rui chamou atenção para o trabalho de Elsimar, que se destacou nacional e internacionalmente na pesquisa da área de reprodução humana.

“O Brasil perdeu hoje um dos seus grandes cientistas. Uma das principais referências em reprodução humana do país, Elsimar Coutinho foi antes de tudo um homem inquieto, dedicado ao seu trabalho como médico e pesquisador, levando o nome da Bahia para todo o mundo. Para os pacientes, é a perda de um profissional brilhante e, para família e amigos, a dor da partida de um ente querido. Que Deus os conforte nesse momento tão triste para todos nós. Siga em paz, dr. Elsimar!”.

Quando ainda estava internado em Salvador, o Hospital Aliança informou que, no dia 21 de julho, o médico estava em ventilação artificial e sedado. No do dia 22, divulgou que ele estava com problemas renais e pulmonares. Já no dia 23 de julho, a unidade médica informou que ele foi submetido a hemodiálise após quadro de disfunção circulatória.

No dia 29 de julho ele foi transferido para o hospital em São Paulo. Lá, no dia 6 de agosto, Elsimar passou por um procedimento de traqueostomia, quando um tubo fino é colocado na garganta para permitir a passagem do ar. Por meio de nota, a assessoria do médico informou que o procedimento foi feito para que ele tivesse mais conforto no tratamento. Elsimar Coutinho deixa esposa, cinco filhos, 12 netos e quatro bisnetos.

História

Médico Elsimar Coutinho morreu nesta segunda-feira (17), em São Paulo — Foto: Redes Sociais / Reprodução

Médico Elsimar Coutinho morreu nesta segunda-feira (17), em São Paulo — Foto: Redes Sociais / Reprodução

“Ele ensinava como extrair remédios das plantas, coisa que meu avô fazia, apesar de não ser formado. Meu avô era um prático da medicina e meu pai, com certeza, inspirou-se nele”, disse Elsimar ao site institucional dele.

Seguindo os passos do pai, se formou primeiro em farmácia e bioquímica, em 1951, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Quatro anos depois, em 1956, concluiu o curso de medicina na mesma universidade. Fez pós-graduação em Endocrinologia pela Universidade de Sorbonne, em Paris, França, e no Instituto Rockfeller, em Nova Iorque, EUA.

Foi no início desse processo de qualificação que o médico conheceu a relação entre os hormônios e a reprodução humana, o que o levou a pesquisas e a uma nova trajetória profissional na medicina.

Como professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Elsimar Coutinho fez uma das suas maiores descobertas. Nos anos 60, após observar pela primeira vez os efeitos da supressão da menstruação, o médico revelou a criação do primeiro anticoncepcional injetável de uso prolongado.

A divulgação do método gerou uma grande polêmica, mas ele continuou se dedicando às pesquisas na área e lançou outros importantes métodos contraceptivos injetáveis, pílulas para uso oral e vaginal e os implantes hormonais subcutâneos.

Segundo informações do site da clínica do médico, Elsimar Coutinho também desenvolveu uma série de medicamentos que vão desde fármacos para facilitar a gravidez até outros que impedem o parto prematuro e aborto espontâneo, além dos tratamentos de contracepção e de reposição hormonal em homens e mulheres.

Defensor do controle da natalidade por meio do planejamento familiar, criou o Centro de Pesquisa e Reprodução Humana (CEPARH), referência em reprodução humana. Além de atendimentos particulares e conveniados, o Centro atende gratuitamente pessoas carentes que necessitam de assistência em planejamento familiar.